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Terça, 16 de agosto de 2022
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Educação

Pastor da propina no MEC abriu faculdade e editora

Trata-se de uma editora e uma faculdade, ambas vizinhas de igrejas evangélicas, abertas com capitais iniciais de R$ 350 mil e R$ 100 mil.

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Acusado de ser um dos cabeças do esquema de liberação de verbas federais mediante propina no Ministério da Educação, o pastor evangélico Gilmar Santos abriu duas empresas no valor total de R$ 450 mil no estado de Goiás, no dia 8 deste mês de março. Trata-se de uma editora e uma faculdade, ambas vizinhas de igrejas evangélicas, abertas com capitais iniciais de R$ 350 mil e R$ 100 mil,

De acordo com documentos aos quais o portal G1 teve acesso, o pastor, que tinha portas abertas no Palácio do Planalto tendo se encontrado três vezes com o presidente Jair Bolsonaro (PL), registrou o Instituto Teológico Cristo para Todos (ITCT) num endereço do bairro Jardim América, em Goiânia, enquanto a editora teve sua sede registrada no município de Aparecida de Goiânia.

O escândalo divulgado neste semana trouxe à baila um esquema envolvendo recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) supostamente operado pelo ministro Milton Ribeiro, com a anuência do presidente, segundo áudios divulgados pela Folha de S. Paulo.

No local onde deveria funcionar a faculdade, há um pequeno edifício em construção, bem ao lado da sede da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros de Assembleias de Deus no Brasil (Conimadb). Já no endereço da editora, fora da capital goiana, há um templo da Assembleia de Deus Ministério Cristo para Todos.

Mulher e filha receberam auxílio emergencial

A mulher e uma filha do pastor Gilmar Santos receberam cerca de R$ 10 mil em auxílio emergencial do governo federal até o ano passado. A filha, Quézia dos Santos, obteve R$ 5,2 mil entre abril de 2020 e julho de 2021. Desde junho do ano passado, Quézia tem um cargo de assessora na Câmara dos Deputados e recebe R$ 4,2 mil mensais. Ela é nomeada no gabinete do deputado João Campos, do Republicanos de Goiás, da bancada evangélica.

Já a pastora Raimunda dos Santos, casada com Gilmar, recebeu R$ 4.650 de auxílio durante a pandemia, de junho de 2020 até outubro do ano passado.

Em ambos os casos os recebimentos são ilegais, já que uma das exigências para obter o auxílio é ter uma renda familiar mensal de até R$ 3,3 mil.

Polícia Federal investiga

Nesta sexta-feira (25), a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar se houve favorecimento ilegal em repasses de verbas do FNDE, autarquia vinculada ao MEC com um orçamento de R$ 945 milhões para 2022.

O inquérito foi instaurado a partir de um pedido da Controladoria-Geral da União (CGU) que, nesta quinta-feira (24) enviou à PF o resultado de uma sindicância interna onde há indícios de supostas fraudes na distribuição de verbas da Educação.

Desde junho de 2020, o FNDE é presidido por Marcelo Lopes da Ponte, que foi indicado pelo Centrão. Ponte era chefe de gabinete do hoje ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do Centrão.

Outro indicado pelo grupo político do "toma lá dá cá" é Garigham Amarante Pinto, que era assessor do PL (atual partido de Bolsonaro) e ocupa, desde 2020, a direção de Ações Educacionais do FNDE.

O FNDE é o órgão do MEC responsável pelo repasse de verbas a estados e municípios para a execução de políticas na área da educação, como programas de alimentação e transporte escolar na educação básica e projetos relacionados à educação superior e ao ensino técnico.

Créditos (Imagem de capa): Ministro da Educação, Milton Ribeiro, e pastor Gilmar Santos - Foto: Divulgação

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