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Terça, 17 de maio de 2022
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Sociedade

Garimpeiros exigem sexo com meninas Yanomami em troca de comida, denuncia relatório

Documento traz relatos de indígenas, pesquisadores e antropólogos. Ao menos três adolescentes ficaram doentes e morreram após os abusos praticados

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Um relatório da Hutukara Associação Yanomami (Hay), divulgado nessa segunda-feira (11), aponta que garimpeiros exigem sexo com meninas e mulheres indígenas como moeda de troca por comida na Terra Yanomami, em Roraima. Após os relatos de abuso sexual, o Ministério Público Federal (MPF) disse que pediu à União novas ações policiais. 

Segundo informa o G1, o documento traz relatos de indígenas, pesquisadores e antropólogos e mostra que ao menos três adolescentes ficaram doentes e morreram após os abusos praticados pelos garimpeiros em 2020. 

"Elas eram novas, tendo apenas tido a primeira menstruação. Após os garimpeiros terem provocado a morte dessas moças, os ianomâmis protestaram contra os garimpeiros, que se afastaram um pouco. As lideranças disseram para eles (garimpeiros) que estando tão próximos, se comportam muito mal”, diz o relato de uma pesquisadora indígena após conversa com uma mulher ianomâmi.

Moradores da região do Rio Apiaú relataram que um garimpeiro que explora a região teria oferecido drogas e bebidas aos indígenas e, quando todos já estavam bêbados, estuprou uma das crianças da comunidade. Também foi denunciado um "casamento" arranjado de uma adolescente ianomâmi com um garimpeiro, com a promessa de "pagamento de mercadoria", que nunca foi cumprida. 

O Ministério Público Federal disse que apresentou à Justiça Federal pedido para obrigar a União a retomar ações de proteção e operações policiais contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, e constatou que "as operações executadas em 2021 pelo governo federal não foram capazes de conter o avanço da atividade ilegal no território".

"Assim, na ação protocolada com urgência, o MPF pede que o Governo Federal coordene o planejamento de novas operações de repressão contra os crimes socioambientais da região e que as equipes policiais permaneçam no local até que todos os infratores ambientais sejam retirados da terra indígena", disse o MPF em nota.

Em resposta ao G1, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse que "desconhece o estudo citado e que não comenta dados extraoficiais". Também afirmou que "o problema da mineração na área Yanomami é agravado, ainda, pelo aumento do número de garimpeiros venezuelanos na região, em razão do fluxo migratório de pessoas da Venezuela para o Brasil decorrente da crise humanitária". 

Garimpo cresceu 46% entre 2020 de 2021

O relatório Hutukara Associação Yanomami ainda destaca o crescimento do garimpo ilegal na terra indígena. Entre 2020 e 2021, a atividade avançou, em termos de área, 46% - a maior alta registrada desde que houve a demarcação da Terra Ianomâmi, em 1992. Segundo o documento, mais de 3 mil hectares já foram devastados pelo garimpo ilegal, no acumulado.

Área de garimpo nas proximidades do Rio Uraricoera Bruno Kelly / Relatório Yanomami Sob Ataque - Foto: Divulgação

 

A presença dos garimpeiros também causou, segundo a pesquisa, aumento dos casos de malária na região. Além disso, o consumo de comidas industrializadas pelos indígenas — fornecidas pelos garimpeiros, muitas vezes em troca de favores sexuais — fez com que eles apresentassem novos problemas, como diabetes, pressão alta, anemia e obesidade.

O relatório divulgado nessa segunda-feira ainda informa que em Honoxi, um posto de saúde foi tomado pelos garimpeiros. Em 2020, a unidade fez 6 mil atendimentos, número que caiu para menos de 1 mil no ano seguinte. Atualmente, a estrutura é usada como galpão para depósito de materiais e combustível.

No canto superior direito é possível ver o prédio que antes abrigava um posto de saúde e agora é usado pelos garimpeiros. Pista de pouso também teria sido tomada pela atividade ilegal Bruno Kelly / Relatório Yanomami Sob Ataque - Foto: Divulgação

 

Fonte/Créditos: GZH Geral

Créditos (Imagem de capa): Abusos foram relatados pelos ianomâmis a pesquisadores NELSON ALMEIDA / AFP

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