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Segunda, 06 de dezembro de 2021
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Educação

Em meio à crise, Enem 2021 tem 26% de abstenção no país

Duas semanas antes da prova, 37 servidores pediram demissão alegando interferência do governo no conteúdo da avaliação

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O primeiro dia de aplicação da prova do Enem 2021, neste domingo, registrou 26% de faltosos, de acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, comemorou o resultado, destacou que a abstenção foi baixa e disse que o conteúdo da prova mostra que não houve interferência política na prova. Em entrevista à imprensa, ele chegou a dizer que, se houvesse intervenção “algumas perguntas talvez não estariam ali”.

No total, foram 3.109.762 inscrições para a prova. Sem nenhum incidente grave durante a aplicação da prova, o ministro aproveitou para criticar a oposição e rebatar as acusações de que haveria interferência política no conteúdo da prova.

“Acredito que o Enem foi um sucesso. Para nós isso (percentual de abstenção ainda durante a pandemia) foi um número significativo”, disse o ministro.

A lisura da prova foi colocada sob suspeita após uma debandada de 37 servidores no início de novembro, denunciando o presidente, Danilo Dupas, por assédio moral. Na última segunda-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro disse que as perguntas do Enem “começam agora a ter a cara do governo”.

Segundo o Inep, a abstenção foi de 52% no ano passado, quando já havia pandemia. Em 2019, foi de 22%, e em 2018 de 24,7%. Nos anos anteriores, 2017 e 2016, foi superior a 30%, mesmo sem pandemia, o que foi destacado por Milton Ribeiro, que ainda minimizou o baixo número de inscritos este ano.

“Nós tivemos um Enem seguro, a tempo, nenhuma intercorrência mais significativa. Por fim, nós pudemos perceber, até mesmo pela abstenção, que isso vai ser dito na hora oportuna, que nosso número daqueles que eventualmente compareceram ao Enem é muito parecido ao que aconteceu no último Enem, mostrando que o mais importante não é o número de inscritos, mas quem veio realmente fazer a prova”, disse Ribeiro.

O ministro atacou a oposição, que pediu a troca no comando do Inep, em razão das denúncias de interferência política na prova. Milton Ribeiro voltou a sugerir que a insatisfação de servidores do órgão se deve na verdade a mudanças no sistema de pagamento de uma gratificação, o que é refutado pela associação que representa os funcionários do órgão.

“Hoje nós podemos ver que o que toda essa narrativa que nós tínhamos de partidos de oposição e até de meios de comunicação sobre uma possível interferência na prova não tinha cabimento”, disse o ministro.

Questionado se o Enem ficou com cara do governo, o ministro da Educação respondeu que isso foi uma “narrativa” e uma tentativa de politizar a prova.

“Isso foi uma narrativa, tentaram politizar a prova. Não houve nenhuma interferência. Se tivesse nossa interferência, pode ser que algumas perguntas não estivessem ali. Não houve sequer qualquer interferência, escolha de perguntas. Quando o presidente fala que o Enem começa a ter a cara do governo, eu digo que tem mesmo: seriedade, transparência, assuntos de cunho acadêmico, sem desvios de recursos, sem vazamentos de documentos e provas. Essa é a cara do nosso governo, de seriedade.”

Para argumentar que não houve interferência no Enem, o ministro disse que algumas questões ficariam de fora, caso o Executivo tivesse ingerência sobre a prova.

“Tem alguns temas que, numa visão mais conservadora, são mais caros ao nosso governo. Isso para mim, sem tecer qualquer comentário sobre o mérito das questões, mostra a seriedade com que o governo trata o Enem e a educação”, disse Ribeiro.

O ministro não quis dar exemplos de quais questões deixaria de fora do Enem.

As questões da prova trataram de temas que já foram alvo de críticas do presidente e de conteúdos que chegaram a ser censurados em edições anteriores do exame. Entre elas, havia pelo menos duas sobre a situação dos indígenas brasileiros, que abordavam o protagonismo dos povos originários e a relação deles com mineradoras, que são ameaças a áreas de reserva.

A prova também problematizou o conceito de “minorias”, com base em texto do filósofo Deleuze, e falou de escravidão e racismo pela música Sinhá, de Chico Buarque, opositor declarado do governo. Ao todo, pelo menos cinco questões foram sobre herança africana e escravidão.

O ministro ainda destacou o tema da redação: “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”.

“Foi o nosso governo que descobriu a existência desses invisíveis. Descobrimos agora quando essas pessoas puderam acessar o auxílio que foi distribuído no ano passado”, afirmou o ministro.

O presidente do Inep disse que a única “intercorrência” do exame foi a falta de luz em algumas salas.

“Não houve nenhuma intercorrência além da falta de luz. Foi um Enem muito tranquilo”, disse Danilo Dupas, que vinha sendo muito criticado por servidores e teve sua cabeça pedida por parte deles e pela oposição.

Créditos (Imagem de capa): Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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