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Terça, 26 de outubro de 2021
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Sociedade

Em estudo apoiado por Bolsonaro, Prevent Senior escondeu mortes de pacientes que tomaram cloroquina

Prevent Senior omitiu número de mortes de pacientes envolvidos em estudo de uso da hidroxicloroquina associada à azitromicina

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O plano de saúde Prevent Senior realizou um estudo para testar o uso de hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a covid-19. Em um dossiê, recebido pela CPI da Covid e divulgado pela GloboNews, há indícios que a empresa escondeu mortes de pacientes que receberam o tratamento.

Segundo a GloboNews, a Prevent Senior divulgou que duas pessoas morreram durante o uso da medicação. Na planilha, constam nove mortes.

O estudo recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a fazer publicações nas redes sociais para exaltar o uso do medicamento, que não tem eficácia contra a covid-19. Defensores da cloroquina também usaram a pesquisa como argumento.

À GloboNews, um médico da Prevent Senior afirmou que o estudo foi manipulado para tentar provar que a cloroquina era eficaz contra a covid. O resultado, segundo o médico, já estava pronto mesmo antes do fim do estudo.

A pesquisa começou a ser feita em 25 de março de 2020. Em mensagens divulgadas pela emissora, o diretor da empresa, Fernando Oikawa, orienta os médicos a não informar as famílias sobre a medicação. “Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa”

Mortes de pacientes

No total, nove pessoas que participavam do estudo morreram. Entre elas, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina associada à azitromicina. Dois estavam no grupo que não recebeu os remédios. Sobre o outro paciente que morreu, não há informações se ele foi medicado ou não.

A informação inicial era de duas mortes de pessoas com covid-19 que tomaram cloroquina. O primeiro documento publicado sobre o estudo foi em 15 de abril de 2020, um pré-print, ou seja, uma versão inicial que ainda precisa de revisão.

Na publicação, o coordenador do estudo, o cardiologista Rodrigo Esper, diretor da Prevent, diz que as duas mortes de pessoas medicadas foram provocadas por outras doenças e não há qualquer relação com a covid ou com as medicações.

“Não houve efeitos colaterais graves em pacientes tratados com hidroxicloroquina mais azitromicina. Dois pacientes do grupo de tratamento morreram durante o acompanhamento; a primeira morte foi devido à síndrome coronariana aguda e a segunda morte devido a câncer metastático.”, descreve Esper no pré-print.

No entanto, segundo as informações adquiridas pela GloboNews, entre as vítimas não há ninguém com as doenças mencionadas.

Apoio de Bolsonaro

Estudo da Prevent Senior divulgou número de mortes menor de pacientes que tomaram cloroquina e azitromicina (Foto: Getty Images)

 

Três dias depois, em 18 de abril, o presidente Jair Bolsonaro postou elogios ao estudo no Twitter.

“Segundo o CEO Fernando Parrillo, a Prevent Senior reduziu de 14 para 7 dias o tempo de uso de respiradores e divulgou hoje, às 1h40 da manhã, o complemento de um levantamento clínico feito: de um grupo de 636 pacientes acompanhados pelos médicos, 224 NÃO fizeram uso da HIDROXICLOROQUINA. Destes, 12 foram hospitalizados e 5 faleceram. Já dos 412 que optaram pelo medicamento, somente 8 foram internados e, além de não serem entubados, o número de óbitos foi ZERO. O estudo completo será publicado em breve!”, escreveu o presidente na ocasião,.

O que diz a Prevent Senior

Em nota enviada à GloboNews, a Prevent Senior negou as denúncias se afirmou que está tomando medidas para investigar quem “está tentando desgastar a imagem” da empresa.

A companhia afirmou que os números estão à disposição da CPI da Covid e disse que os médicos sempre tiveram a autonomia respeitada.

Antes, médicos que trabalham para a empresa já haviam denunciados que foram obrigados a receitarem medicamentos do chamado "kit covid"

Créditos (Imagem de capa): Bolsonaro foi um dos maiores defensores da cloroquina, remédio ineficaz contra a covid-19 (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

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