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Na ONU, Lula defende o diálogo como principal ferramenta para construção da paz

Na ONU, Lula defende o diálogo como principal ferramenta para construção da paz

19/09/2023 18h18 Atualizada há 10 meses
Por: Assessoria
Presidente discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Ao discursar nesta terça-feira (19/9) na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo para que o mundo se una em torno de uma proposta baseada em diálogo para a solução dos conflitos armados e crises humanitárias em curso no planeta.

Não haverá sustentabilidade nem prosperidade sem paz. Os conflitos armados são uma afronta à racionalidade humana. Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz. Mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo” Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

“Não haverá sustentabilidade nem prosperidade sem paz. Os conflitos armados são uma afronta à racionalidade humana. Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz. Mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo”, afirmou.

Além da guerra entre Rússia e Ucrânia, que desestabiliza a Europa e tem reflexos em todo o mundo, o presidente brasileiro citou como exemplos diversos conflitos que ameaçam a estabilidade mundial.

“É perturbador ver que persistem antigas disputas não resolvidas e que surgem ou ganham vigor novas ameaças. Bem o demonstra a dificuldade de garantir a criação de um Estado para o povo palestino. A este caso se somam a persistência da crise humanitária no Haiti, o conflito no Iêmen, as ameaças à unidade nacional da Líbia e as rupturas institucionais em Burkina Faso, Gabão, Guiné-Conacri, Mali, Níger e Sudão. Na Guatemala, há o risco de um golpe, que impediria a posse do vencedor de eleições democráticas. A guerra da Ucrânia escancara nossa incapacidade coletiva de fazer prevalecer os propósitos e princípios da Carta da ONU”, elencou.

Ao citar as cifras que as guerras consomem – mais de 2 trilhões de dólares em gastos militares no ano passado e 83 bilhões de dólares em despesas com armas nucleares, valor vinte vezes superior ao orçamento regular da ONU – Lula declarou que o mundo precisa fazer uma escolha se quiser efetivamente construir processos de paz eficientes e duradouros.

“Tenho reiterado que é preciso trabalhar para criar espaço para negociações. Investe-se muito em armamentos e pouco em desenvolvimento. A ONU nasceu para ser a casa do entendimento e do diálogo. A comunidade internacional precisa escolher: de um lado está a ampliação dos conflitos, o aprofundamento das desigualdades e a erosão do Estado de Direito. De outro, a renovação das instituições multilaterais dedicadas à promoção da paz”.

Sanções – O presidente Lula também fez uma defesa à Cuba e se posicionou contra sanções unilaterais que, segundo ele, “causam grande prejuízos à população dos países afetados” e que, “além de não alcançarem seus alegados objetivos, dificultam os processos de mediação, prevenção e resolução pacífica de conflitos”.

“O Brasil seguirá denunciando medidas tomadas sem amparo na Carta da ONU, como o embargo econômico e financeiro imposto a Cuba e a tentativa de classificar esse país como Estado patrocinador de terrorismo. Continuaremos críticos a toda tentativa de dividir o mundo em zonas de influência e de reeditar a Guerra Fria”, frisou.

Conselho – Em outro ponto, ao abordar o Conselho de Segurança, órgão da ONU cujo objetivo é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional, Lula voltou a defender sua reformulação para adequá-lo às necessidades deste terceiro milênio.

“O Conselho de Segurança da ONU vem perdendo progressivamente sua credibilidade. Essa fragilidade decorre em particular da ação de seus membros permanentes, que travam guerras não autorizadas em busca de expansão territorial ou de mudança de regime. Sua paralisia é a prova mais eloquente da necessidade e urgência de reformá-lo, conferindo-lhe maior representatividade e eficácia”, destacou.

   

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