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Sábado, 18 de setembro de 2021
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Se se quer, é assim

Considerações inspiradas no vídeo "Guerra às Drogas", episódio do programa Greg News, do canal HBO.

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Por Marco Roberto de Souza Albuquerque

A Guerra às Drogas é uma estratégia falida, e há décadas: meu Deus, décadas!

Far-se-lo-á explicar, infra, com método: acompanhe-se o arrazoado; não se estenderá demasiado.

Qual é o princípio da Guerra contra as Drogas? É o mesmo da tributação de fumígenos à base de tabaco: desestímulo ao consumo por meio do aumento de preços.

No caso da Guerra às Drogas, o aumento adviria da repressão: diminuição da oferta por meio da apreensão das substâncias ilegalizadas e da prisão dos agentes envolvidos no circuito econômico dos psicoativos.

Contudo, ao contrário das expectativas teóricas -- as apreensões e as prisões nunca redundaram senão no aumento exponencial do contingente de custodiados (mormente dos integrantes de comunidades com limitado acesso ao sistema social de oportunidades) e na capilarização da corrupção no aparato repressivo (cuja imiscuição chega aos altos escalões da República).

Feita uma "apreensão recorde" desta ou daquela substância, o preço no varejo não sofre nenhuma inflação; ainda quando se logra subtrair ao mercado ilegal o maior montante de drogas na história até então -- não há nenhuma crise de desabastecimento no varejo ilícito de psicoativos.

A superação dos graves problemas sociais articulados à toxicodependência -- criem-se, desenvolvam-se políticas públicas para torná-la exequível: investimento em pesquisas científicas acerca da relação entre a fisiologia cerebral e o consumo de psicoativos; incentivo ao desenvolvimento de terapias mais eficientes quanto à especificidade da toxicodependência; e fomento à criação de novos medicamentos psicotrópicos, cujos princípios ativos possam alcançar efeitos mais alvissareiros ante a sintomatologia de casos graves de drogadição.

Se se quer oferecer uma diretriz governamental que atenda aos que sofrem por conta do abuso no consumo de psicoativos -- quer legais, quer ilegais --, que se invista em ciência, tecnologia e saúde pública. Deixemos a beligerância e o emprego da força para a defesa da soberania do país sobre seu território e sobre suas riquezas naturais. 

E isso quando a diplomacia e a política internacional não forem bastantes.

* Marco Roberto de Souza Albuquerque é professor e educador social.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Portal de Noticias Fronteira Livre

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