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Terça, 25 de janeiro de 2022
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Coluna

A alegria como sinal de compromisso

A respeito do significado da alegria como resultado da adesão religiosa à Justiça misericordiosa

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Foz do Iguaçu, 2021: Domingo do Gaudete,
12 de dezembro.

Prezados(as) Coordenadores(as) de pastorais, movimentos e CPPs:

Pax Domini Vobiscum.

Neste terceiro domingo do Advento, celebra-se a alegria como uma virtude a ser desenvolvida em nossa preparação para o mistério da Encarnação, que testemunharemos ao Mundo nas liturgias e confraternizações próprias ao Natal de Nosso Senhor.

Sim, porque, como cristãos, temos o dever de testemunhar a HaMashiach (o Cristo) ante todos os povos com alegria e bom ânimo, como nos orienta Sua Santidade em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (“A alegria do Evangelho”).

Ora, como se lê no excerto do Evangelho que partilhamos na mesa da Palavra durante as Santas Missas celebradas neste domingo (Lc 3, 10-18) – a exortação e a consolação ficam a cargo, não do Salvador, e sim do Precursor.

E o que prega Yochanan HaMat’bil (São João Batista) com vistas a orientar-nos para o desenvolvimento da virtude da alegria, com a qual devemos testemunhar ao Mundo a ação misericordiosa de Elohim na vida de cada um, em particular, e na história de todos os povos, em geral?

JUSTIÇA: - Essa seria a palavra que resumiria a prédica de Ben Zachariyah (o filho de Zacarias), cuja missão profética, na nova economia com o Sagrado, aberta pela Brit-Chadashah (a Nova Aliança) – é conduzir-nos até o limiar do Evangelho e nos preparar para a realidade maior da Malchut-Elohim (o Reino de Deus): realidade essa que será enunciada, como ato inaugural de Sua vida missionária, pelo próprio HaMashiach: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

Contudo não se trata de uma justiça como nós, humanamente, a concebemos: embasada tão-somente, seja na justeza da parte que cabe a cada um, seja na dureza da retribuição ao mal causado por alguém a outrem ou à sociedade. Não: trata-se da Tzdakah (a Justiça misericordiosa), a qual, cumprindo a Lei, leva-a à perfeição – Justiça essa que espelha a própria sã doutrina e a conduta profética de Yehoshu'a Adonenu (Jesus Nosso Senhor): Mt 5, 17.

E aqui cabe uma dúvida: que é o que tudo isso tem que ver com a alegria? Justiça, arrependimento – isso são temas para quem se prepara para uma festa de aniversário – a qual festeja simbolicamente a Encarnação do Verbo como um ato de amor de HaBoreh (o Criador) em favor da salvação de toda a humanidade e do Olam HaZeh (este Mundo: a Criação)? (Jo 3, 17; Rm 8, 20-21.)

Com efeito, quando lemos o excerto evangélico com atenção, notamos que o “clima” entre os circunstantes, os quais se haviam dirigido ao deserto em busca da Tevilah – um símbolo de purificação, por meio de uma imersão ritual, que alude à Tshuvah (Arrependimento + Conversão), oferecido por HaMat’bil (o Batista) – não é de efusividade, de festa nem de euforia. Há, ao contrário, circunspecção: ARREPENDIMENTO, movido pela consciência de uma vida até então em desarmonia com os propósitos de Elohim para com seu povo e, extensivamente, para com toda a humanidade; e EXPECTATIVA quanto aos passos que devem ser dados para voltar à Paz e Amizade com o Pai – ou seja: a CONVERSÃO.

E como resposta à pergunta sobre o que devemos fazer para que produzamos frutos que testemunhem da Tshuvatenu (nossa Conversão) a uma vida de acordo com a Malchut veTzidkatah (o Reino e sua Justiça), o Precursor responde referindo-se às especificidades profissionais e sociais de cada um.

Atualizando o quadro com os termos e conceitos de hoje, dispomos a cena assim:

Agentes de segurança pública? Não exerçam violência contra o próximo nem aceitem suborno: Lc 3, 14.

Autoridades e servidores públicos que cuidam da arrecadação e gestão dos recursos públicos? Ajam em restrita obediência à lei, renunciando a abusos e desmandos: Lc 3, 13.

Cidadãos em geral, mas especialmente os que tenham uma vida material mais bem aquinhoada? Vivam a partilha, de modo que não haja necessitados, desprovidos nem desassistidos: Lc 3, 11.

Em termos humanos, talvez “não haja muita graça” nessas exortações, pois os pecados implicitamente condenados em cada caso (violência, corrupção e indiferença social) quiçá oportunizem ocasiões para o prazer e a satisfação de ver aumentar o próprio prestígio e patrimônio, ou de fazer valer, pela força, a própria vontade e os caprichos aos demais.

Mas em termos divinos, a cuja participação somos incitados (Mt 5, 48), sabemos que não pode haver real prazer nem satisfação quando nossas condutas e objetivos implicam o mal ao próximo, contrariando o segundo Mandamento (Mc 12, 31a) e a Regra de Ouro (Mt 7, 12).

Nas festas de fim de ano, que se aproximem, veremos – em termos seculares – muitas demonstrações de euforia e expansividade que costumam passar longe das exortações que marcam a Palavra na celebração litúrgica deste Domingo da Alegria: pelo contrário, é possível que muitos dos excessos que costumam ser praticados nessas ocasiões firam frontalmente todas as orientações espirituais e mandamentos escriturísticos a respeito da Tzdakah (a Justiça misericordiosa).

Todavia a nós – todos nós: leigas e leigos, ordenados, e consagradas e consagrados –, cuja vida eclesial, atividade pastoral e dedicação missionária devem testemunhar uma nova economia da Alegria: uma alegria saudável, sustentável e perene – toca-nos o dever religioso de mostrar que o contentamento, a satisfação e o prazer decorrentes da celebração da Encarnação do Salvador exigem uma prévia dedicação à produção de frutos concretos que testifiquem nossa adesão ao projeto histórico em prol da construçãosocial da Malchut-Shebashamayim (o Reino dos Céus).

Sem um prévio cuidado no desenvolvimento de nossa vida espiritual com vistas à contribuição para que a Tzdakah afronte a Injustiça e acolha aos injustiçados – não poderemos apresentar-nos adequadamente à celebração do nascimento do Salvador.

Se buscarmos, enquanto nos preparamos para o Natal, a Tshuvah (o Arrependimento + a Conversão) preconizada por Yochanan HaMat'bil – com o devido cuidado de fazer brotar nossos frutos concretos de Hesed (o Amor), conforme os preceitos apresentados no excerto evangélico de hoje –, então poderemos sentir espiritualmente o significado salvífico da antífona que dá o nome de Gaudete ao Terceiro Domingo do Advento: “Gaudéte in Domino semper: íterum dico, gaudéte!”, isto é: “Alegrai-vos sempre no Senhor: eu vos repito, alegrai-vos!”.

*

Devo advertir-vos, amados meus e caríssimos, que não basta tão só boa vontade, e muito menos apenas bom senso, para atender à exortação do Precursor a respeito das condutas que testemunham nosso arrependimento e testificam nossa conversão.

É preciso CONHECIMENTO acerca das Escrituras e da Tradição, as quais conformam, não apenas o Tesouro dos Apóstolos, senão também o Magistério da Igreja.

O exercício de nossas virtudes não deve auferir-se a esmo, ou somente conforme o que dizem este ou aquele sábio secular, ou preconizam esta ou aquela doutrina temporal.

Temos um arcabouço próprio que nos municia para um discernimento de como buscar a Caridade (como forma excelsa de Justiça misericordiosa: o mesmo que a Tzdakah hebraica), e toca-nos o papel histórico de partilhá-lo com os que, no conjunto da sociedade, buscam orientações coerentes (enquanto elaborações intelectuais e espirituais) e consistentes (com relação à realidade concreta) para a construção de práxis socioeconômicas e diretrizes políticas que corroborem o bem comum, tanto em nível MORAL (íntimo, pessoal) quanto em termos ÉTICOS (públicos, sociais).

Todavia, se não nos dispomos a conhecer – pelo estudo e reflexão – semelhante arcabouço, como o poderemos partilhar?

E mais: por que nossas lideranças, no que toca à justiça social, se esfalfariam em dirigir seus esforços segundo tão-somente orientações partidárias ou doutrinas políticas – se dispomos de balizas intelectuais e espirituais fundadas por Aquele cuja existência inteira (nascimento, vida, ação, morte, ressurreição e ascensão) aponta para a realidade de um Deus que não quer senão plenificar a vida, não só de seus filhos, senão de toda o Olam HaZeh?

Por isso encerro esta missiva fazendo-vos um vivo pedido: procurai a equipe de coordenação da Escola de Formação Areópago (EFA): essa importante iniciativa do laicato de nossa Igreja local, sob a assessoria espiritual do padre Valdir Riboldi, em favor de uma adequada preparação para a intervenção social, exercida por nossas pastorais, e de um apropriado testemunho de uma vida em HaMashiach, experimentada por nossos movimentos – bem como da participação na gestão da realidade pastoral, catequética e eclesial de nossas paróquias, exercida pelos CPPs.

Num momento histórico espinhoso, em que os direcionamentos partidários nos têm levado, ora ao desencanto com a política (a despeito de sua importância vital para a vida temporal em sociedade), ora à violência e à intolerância (por conta do fanatismo que vem exacerbando os ânimos   de quem se identifica com esta ou aquela orientação ideológica) – exorto a todas as leigas e leigos que estão à frente da coordenação de nossas pastorais, movimento e CPPs: não deixeis de enviar membros que representem vossos Carismas nas turmas de educação permanente que a EFA vem organizando com vistas a tornar conhecida e compreendida a doutrina social da Igreja e outros documentos e iniciativas intelectuais, artísticas e espirituais que estabelecem os princípios e as virtudes imprescindíveis para que o laicato se faça presente, em seu Tempo e Lugar no conjunto da sociedade, como Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5, 13a.14a.)

Anexa a esta carta, que ora se encerra – pois já vai demasiado longa quiçá –, seguem os meios para comunicar-se com a Mitra diocesana – por meio da qual se pode contatar a equipe de coordenação da EFA, em geral, e seu assessor espiritual, em particular.

Que, segundo Retzon-Elohim (a Vontade de Deus), não nos faltem a nós outros motivos de atender ao imperativo da antífona: “Alegrai-vos”.

Um excelente tempo do Advento para todos nós.

Shalom Aleichem.

Atenciosamente,

Marco Roberto de Souza Albuquerque

P. S.: – Mitra Diocesana de Foz do Iguaçu. Endereço: rua Patrulheiro Venanti Otremba, nº 585, Vila Maracanã, Foz do Iguaçu, PR. CEP: 85852-020. Telefone: (45) 3574-5811 ou (45) 3572-7831. Site: https://diocesedefoz.org.br

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